O segundo cão na família

Provavelmente a parte mais difícil da educação de um cão é fazer com que ele respeite sua ordem para não fazer algo que está pretendendo. As pessoas costumam cometer erros enormes na hora de ensinar o significado da palavra não e de punir o cão quando ele não se comportou da maneira que deveria. Este é realmente um assunto muito delicado e o mais difícil é que nós mesmos temos que nos disciplinar para procurar usar sempre a razão nas horas em que nossos cães parecem estar tentando nos tirar do sério. Para isso, é necessária alguma paciência e um pouco de conhecimento sobre nossos cães.

Para começar vamos dar uma olhada nos nossos erros mais comuns:

> Usar indiscriminadamente a palavra não e dar broncas em momentos em que fica difícil para o cão relacionar com o comportamento errado. Se você passa o dia dando broncas como “Não suba sujo do sofá!”, “Olha só o que você fez com o tapete!”, “sai do meio do caminho, estou tentando passar!” então, você pode estar criando um problema. Seu cão nunca tem certeza do porquê está levando broncas e o único jeito que ele encontra é se acostumar com elas. Em pouco tempo a bronca não faz mais efeito nenhum;

>Reforçar o comportamento, caindo na “armadilha” do seu cão para chamar a sua atenção. Muitas vezes os cães fazem algo errado pois querem qualquer interação com você, mesmo que em forma de bronca. Correr atrás e tentar retirar um objeto da boca dele pode torna a situação ainda mais divertida. Este é o erro mais comum e exige muita paciência e uma certa estratégia para conseguir se livrar do problema;

>Utilizar violência física como punição. Este é um erro muito grave pois pode levar a distúrbios comportamentais sérios e se for cometido na infância do cão a reversão é muito difícil. Como em geral as pessoas erram no momento da punição, o cão novamente não consegue relacionar com algum comportamento específico e se torna um cão medroso e acuado, que está sempre olhando ao redor com o rabo entre as pernas e sem coragem de se aproximar de nada. Nos casos mais graves o cão passa a atacar em situações corriqueiras que parecem ameaçadoras para ele;

Agora, se você já pensou em todas as possibilidades e chegou à conclusão que não tem outro jeito senão usar uma punição então tenha em mente uma coisa: quando queremos extinguir um comportamento ou quando queremos que o cão respeite a palavra “NÃO” é imprescindível que o cão fracasse na tentativa SEMPRE. O sucesso deste tipo de educação é inversamente proporcional ao número de vezes que o cão consegue o que quer. Isto é muito fácil de entender, se o cão sabe que existe a possibilidade dele conseguir, então existe também um estímulo para tentar. Outro fator essencial na punição é o momento em que ela ocorre. Para simplificar vamos dividir o comportamento em três partes:

  1. A intenção, aquele pequeno momento antes do comportamento acontecer. Esta é a melhor ocasião para a punição. Não só por ser mais efetiva mas por ser também muito mais fácil. Em geral, impedir que o comportamento aconteça já é punição suficiente, o fracasso é indolor e pode ser usado em quase todas as circunstancias. Experimente colocar uma comida no chão e evitar que seu cão a pegue, a maioria dos cães desiste logo. Os mais teimosos podem precisar de um reforço extra, por exemplo, o barulho de uma garrafa de plástico batendo no chão ou um jato de água no rosto são completamente inofensivos e funcionam quase sempre se usados no momento certo;
  2. Quando o comportamento está acontecendo. Está é outra chance que temos para evitar que aconteça novamente tornando o comportamento desagradável ou sem graça. Em geral exige um pouco mais de estratégia, uso de substâncias amargas, sustos ou todas as formas de armadilhas que você puder pensar, sempre lembrando que devem ser inofensivas. Aqui muitas vezes já fica um pouco mais complicado punir pois temos que competir com o prazer que o comportamento gera;
  3. O momento logo após o comportamento cessar. Neste momento, se o comportamento cessou sob seu comando, um “não” por exemplo, não é bom recompensá-lo mas também não se deve continuar com a punição. Se cão parou por outro motivo, por exemplo, pois já acabou de comer todo o pão que roubou, também dificilmente uma punição irá fazer efeito, aqui a melhor estratégia pode ser tentar provocar a situação e punir no momento exato.

Ainda existem algumas considerações importantes a se fazer quando falamos em punição, aliás, esta palavra chega a ser um pouco forte e lembra um pouco vingança, que deve estar completamente fora de questão. A punição é apenas um reforço negativo e se possível deve ser usada quando outra abordagem não funciona ou quando decididamente queremos que o cão não goste do comportamento (aceitar comida de estranhos por exemplo). A intensidade da punição também deve ser medida com cuidado, gritar e ameaçar são péssimas maneiras de se punir, pois quase nunca funcionam para outra coisa senão piorar a sua relação com seu cão. Tente conhecer melhor seu cão e monte estratégias que levem em conta o bem estar de vocês dois.

Considerações importantes a serem feitas quando precisamos punir algum comportamento:

>Prepare a situação de modo a facilitar para que a punição funcione ou para que você tenha certeza de que vai conseguir aplicar a punição. Provoque o comportamento errado, quando ele acontecer no dia a dia você não estará preparado para puni-lo;

>Seja específico, é importante ficar claro para o cão qual foi o comportamento punido, para isso é necessário repetir a situação e recompensar o comportamento certo;

>As broncas que funcionam melhor são as que tiram a concentração do cão no que estavam pretendendo, sustos são excelentes broncas. Por exemplo jogar um objeto barulhento no chão;

> Se a punição foi bem aplicada o cão irá mostrar uma reação de susto ou apreensão, se já é a sua 3a tentativa e o cão não mostrou nenhuma reação, não insista, procure avaliar o que está errado na sua forma de punir e monte outra estratégia;

>Se o problema acontece quando ninguém está presente a punição deve ser despersonalizada ou seja deve pelo menos parecer que não veio dos donos ou realmente ser causada automaticamente pelo comportamento errado. Por exemplo, gosto ruim em objetos proibidos;

>Seja consistente, deixar com que o cão se comporte mal às vezes, mesmo que pareça haver um motivo, irá estragar toda a educação de seu cão. Para isso todas as pessoas que convivem com o cão devem estar cientes do que ele pode e o que não pode fazer e como proceder caso ele se comporte mal.

EXERCÍCIO PRÁTICO…

>Na aula prática, você verá que uma maneira simples de manter a atenção do seu cão e ao mesmo tempo mostrar-lhe que você está na liderança é, durante o passeio, mudar repentinamente e drasticamente de rumo. Faça como se desse um “tranco” na coleira. Seu cão procurará ficar mais atento em você e mais facilmente andará ao seu lado; *

>Outro exercício que você também aprenderá em aula prática é como dizer “NÃO” em situações e momentos corretos. Um exemplo de simular isso seria colocar um petisco no chão, bem na frente do seu cão, e dizer “NÃO” sempre que ele tentar pegá-lo. Você aprenderá também o momento certo de recompensá-lo por não ter comido o biscoito do chão;

>Para praticar ainda mais o exercício do “NÃO” você verá como fazê-lo quando seu cão pular em você por entusiasmo ou para tentar lhe roubar biscoitos. Chegue bem perto dele e faça festa. Se ele pular, diga “NÃO” e vire-se de costas. Repita o procedimento. Você também aprenderá como e quando recompensá-lo caso ele pare de pular.